495450580893305 Alunos de enfermagem fazem abaixo-assinado para desocupação do Campos Sales

Alunos de enfermagem fazem abaixo-assinado para desocupação do Campos Sales



Um grupo de aproximadamente 20 alunos do curso de enfermagem do Colégio Estadual Campos Sales, em Campina Grande do Sul, se reuniu na tarde deste domingo (30) em um manifesto para pedir a desocupação do colégio que encontra-se ocupado há mais de 15 dias.

Pais e professores também se concentraram em frente à anidade de ensino em uma rede de proteção aos estudantes que participam da ocupação. A Polícia Militar foi acionada pelo Conselho Tutelar para acompanhar o manifesto e evitar um possível atrito entre os dois grupos. Não houve registro de desrespeito ou agressão no local. Alguns alunos do ensino médio também se juntaram ao grupo que pedia o fim da ocupação.

Do lado de fora, os alunos do curso iniciaram a assinatura de um abaixo-assinado, que segundo eles, deve ser anexado a um pedido de reintegração de posse que será encaminhado ao Poder Judiciário local ainda esta semana. Os estudantes pretendem conseguir antes da entrega do documento aproximadamente 500 assinaturas tanto da comunidade escolar como também dos familiares dos alunos que estudam no local. O grupo que se diz esperançoso pelo retorno às aulas criou uma campanha nas redes sociais batizada de "Desocupa Campos Sales".


Sem acordo

Em conversa com o Linkada News, os alunos que pedem a desocupação justificaram os motivos de fazerem o abaixo-assinado. Segundo eles, houve várias tentativas de negociação com o movimento estudantil para liberar um espaço do colégio para o curso, todas sem sucesso.

“A gente tentou de forma pacífica conversar várias vezes com os ocupantes, mas até agora não tivemos nenhuma posição deles. Foi feito até um documento junto com a direção da escola para uma conversa. Desde o dia 14 estamos sem aula. Somos de um curso profissionalizante e precisamos cumprir prazos, caso contrário isso pode acarretar no atraso do nosso registro no Conselho Regional de Enfermagem (Coren)”, comenta a estudante do 3º período, Lucilaine Rosenente, que na última semana usou seu facebook para desabafar sobre a situação.

Outro problema relatado pelos alunos é com relação a formatura, que está marcada para fevereiro do ano que vem. “Eu já paguei boa parte da minha formatura e a empresa do cerimonial já demonstrou que não vai aceitar mudança de data, isso está inclusive descrito em uma das cláusulas contratuais. Caso isso aconteça será um prejuízo financeiro que eu e mais 20 colegas teremos que arcar”, comentou uma aluna.

“Não estamos aqui contra a ocupação. Desde o início se posicionamos a favor do manifesto, mas não da maneira que está sendo feita, atrapalhando quem precisa. Temos questões de cronograma e financeiro envolvidos. Pedimos que eles cedessem uma parte do colégio para que pudéssemos estudar, mas não houve consenso”, diz Claudio Melo, aluno que cursa o segundo período do curso.

“Nós participamos da assembleia e votamos a favor da ocupação. No começo foi tudo muito bonito, só que no decorrer do manifesto pessoas ligadas a partidos começaram a entrar nos colégios, dizendo que os alunos deveriam permanecer ocupando. Isso é uma briga política, só que enquanto isso a gente precisa voltar a estudar”, considera a estudante Jessica Lopes.

Veja os depoimentos:


Na semana passada, a coordenação do curso chegou a solicitar junto à prefeitura do município a possibilidade de ceder algumas salas da Escola Municipal José Eurípedes, na sede, para que os alunos pudessem estudar. O ofício ainda aguarda a assinatura do prefeito Luiz Assunção. Outro ponto que vem preocupando os coordenadores é o empecilho imposto pelo Núcleo de Educação, que considera como aula aplicada somente aquela lecionada nas instalações do colégio, e não em outro local.

Por outro lado, os estudantes do curso também alegam a dificuldade que outra escola teria em oferecer a estrutura necessária para o curso, já que no colégio Campos Sales os alunos contam com laboratório equipado para as disciplinas práticas.

Posição dos pais e professores

Em conversa com alguns pais e professores que acompanharam o abaixo assinado, os mesmos negaram qualquer envolvimento com a ocupação. “Esse é um manifesto organizado pelo próprio movimento estudantil e são os alunos que decidem se a ocupação continua ou não. Isso é uma posição que deve ser respeitada. Nós, enquanto pais e educadores cabe apoiá-los em suas decisões, sejam elas quais forem”, concluiu uma professora.

(Fotos: Adilson Santos)


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