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Atirador chega em velório no Jardim Paulista e dispara contra irmão de rapaz morto



Uma conhecida capela mortuária situada no bairro Jardim Paulista, em Campina Grande do Sul, foi cenário de uma tragédia familiar na noite deste domingo (5). Alison Guilherme França, 18 anos, foi assassinado a tiros em pleno velório do irmão, Jhonatan Silva de Matos, 22 anos, morto na madrugada após se envolver em uma discussão durante uma festa na cidade.

De acordo com informações levantadas pelo Linkada News, dois rapazes encapuzados chegaram no local em um veículo Voyage de cor escura. Um dos ocupantes desceu e disparou várias vezes a queima roupa contra o jovem, que estava do lado de fora da capela, na rua Angelo Antonio Zanchetin. Pelo menos seis cápsulas da arma, provavelmente uma pistola, ficaram espalhadas no cenário do crime. Temendo que o atirador pudesse voltar, pessoas que permaneceram na capela providenciaram uma barricada de carros na entrada do velório.

Ainda segundo o apurado no local, o atirador chegou a disparar em direção a capela onde o corpo estava sendo velado. “Foi um clima de tensão, de correria e gritaria. Alguns deitaram no chão, outros se agacharam. Haviam mulheres e crianças aqui no momento, elas foram embora desesperadas e chorando. Em todos esses anos que trabalho aqui nunca tinha presenciada nada parecido”, relatou um funcionário da funerária.

Com a roupa ensaguentada, o padrasto do rapaz alvejado, Cezo da Silva Cordeiro, 53 anos, contou ao Linkada News que socorreu o enteado, mas ele chegou sem vida ao hospital. “Eu peguei ele caído do chão, coloquei no carro e tentei salvá-lo. Tanto o Alison como o Jhonatan eram rapazes trabalhadores e sem desavenças com ninguém, a família não esperava que essa tragédia acontecesse. Foi uma surpresa para todos nós”, descreveu.

Segundo informou a família, Alison trabalhava como porteiro e Jhonatan exercia a função de manobrista e também motorista do Uber nas horas vagas. Antes do crime, uma moto suspeita foi vista rondando as proximidades do velório várias vezes.

Motivação

A motivação para as duas mortes pode estar relacionada a uma briga envolvendo um dos irmãos. Na madrugada de domingo (5) por volta das 5h, Jhonatan recebeu uma ligação de um amigo para que ele fosse buscá-lo em uma festa que acontecia na chácara Recanto dos Tropeiros, na região central do município.

Momentos antes, esse mesmo amigo teria se envolvido em uma briga com alguns participantes do evento. “Provavelmente ele tentou defender o amigo, se envolveu na discussão, e acabou sendo morto a sangue frio”, disse o padrasto da vítima, que não soube explicar ao certo como tudo aconteceu. Jhonatan foi socorrido por terceiros ao Hospital Angelina Caron, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Familiares e amigos buscam entender o que motivou o duplo homicídio entre irmãos. Segundo eles, Alison não teve envolvimento direto com o desentendimento ocorrido na festa, pois o jovem estava trabalhando quando o irmão foi atingido pelos disparos.

Crime parecido

De acordo com a Polícia Civil, o crime pode ser considerado de caráter bárbaro e lembra muito um duplo homicídio registrado em outubro de 2015, no bairro Santa Rosa, em Campina Grande do Sul. Na ocasião, pai e filho foram mortos praticamente da mesma forma.

O filho, de 27 anos, foi executado a tiros na véspera do Dia dos Pais em um bar na Rodovia do Caqui, e no dia seguinte, enquanto aguardava o corpo do filho, o pai de 65 anos foi morto com pelo menos oito disparos de arma de fogo, cerca de 12 horas após o primeiro homicídio. O crime foi praticado porque o idoso teria discutido e agredido um dos atiradores, que por sua vez, o jurou de morte.

Para o delegado titular da delegacia de Campina Grande do Sul, João Marcelo Renk Chagas, tudo indica que mais esse duplo homicídio tenha relação entre si e as investigações devem começar antes do sepultamento dos dois rapazes. “Geralmente respeitamos o momento de luto da família, mas nesse caso em específico, vamos ir até o local já na data de hoje e tentar pegar alguma informação com os familiares, para que possamos já ter algum elemento para iniciarmos as investigações o quanto antes”, concluiu o delegado, que pela manhã esteve no velório acompanhado da equipe de investigação buscando provas materiais.

Colaboração

A Polícia Civil conta com a colaboração da população para desvendar mais esse crime no município. Denúncias podem ser passadas através do telefone (41) 3676-1218, ou pessoalmente na rua João Cândido, 448, centro de Campina Grande do Sul. As informações serão mantidas em completo sigilo.

(Foto: Adilson Santos)


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