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Caron celebra os 10 anos do primeiro transplante de fígado com doadores vivos realizado no Brasil

Procedimento aconteceu em 2011 no Hospital Angelina Caron. Referência nacional, instituição já realizou mais de 600 transplantes de fígado nos últimos 20 anos


2021 marca dois acontecimentos importantes na saúde do Paraná e do Brasil. Há dez anos, o Hospital Angelina Caron (HAC), em Campina Grande do Sul, realizava o primeiro transplante de fígado no país com dois doadores vivos adultos. E na mesma instituição, em duas décadas, foi ultrapassada a marca de 600 transplantes hepáticos. O Paraná é o estado que mais realiza transplantes no Brasil, com o HAC encabeçando a lista dos hospitais de referência para esses procedimentos de alta complexidade.

“Nós lutamos pela excelência nas cirurgias de fígado e de pâncreas há mais de 20 anos. Fomos os primeiros na América Latina a aplicar esta técnica. Ela diminui muito os riscos para o doador, já que retiramos uma parte bem menor do órgão para transplante. É uma cirurgia difícil, de mais de treze horas de duração, que mostra a qualidade técnica que temos no Hospital Angelina Caron”, afirma o médico João Nicoluzzi, chefe do Serviço de Transplantes.

O médico cirurgião explica que a técnica de duplo doador é coreana, bem comum na Ásia, tendo como expoente o médico Ki-Hu Kim, que já realizou mais de 500 cirurgias do tipo. “O chamado transplante duplo de fígado esquerdo inter vivos adultos (DLLT) foi realizado pela primeira vez no ano 2000, na Coreia do Sul. No Brasil, o primeiro transplante hepático utilizando doadores vivos (THV) foi realizado em 1988, mas era voltado inicialmente para pacientes pediátricos.”

Artigo científico

O transplante hepático inter vivos adulto expandiu as possibilidades terapêuticas para pacientes com insuficiência hepática terminal. “A necessidade de um volume de fígado adequado, que é retirado do doador e necessário ao receptor, limita sua utilização em

alguns casos. Na cirurgia pioneira de 2011, apresentamos um caso em que se utilizou dois lobos esquerdos de dois doadores vivos, para prover o chamado parênquima hepático suficiente ao receptor do órgão", detalha Nicoluzzi, que publicou um artigo científico sobre o feito, em parceria com seis médicos da equipe do Serviço de Transplantes do HAC.

Como ser um doador

A doação de órgãos depende da concordância da família. Após a morte encefálica do paciente, as equipes envolvidas no processo procuram os familiares e explicam sobre a possibilidade da doação dos órgãos. Infelizmente, apesar do crescimento no número de doações, a quantidade de negativas continua alta. Por isso, a conversa com a família é fundamental para reduzir a rejeição.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo. Atualmente, cerca de 96% dos procedimentos de todo o país são financiados pelo SUS. Em números absolutos, o Brasil é o 2º maior transplantador do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Qualquer pessoa pode doar órgãos. Para doadores vivos, é preciso concordância e que não prejudique sua saúde. Pessoas em vida podem doar um dos rins, parte do fígado, do pulmão ou da medula óssea. Já para doadores falecidos, é necessário que seja constatada morte encefálica e que ocorra o consentimento da família.


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