495450580893305 Estudantes de Campina declaram apoio à greve dos professores

Estudantes de Campina declaram apoio à greve dos professores



A greve dos professores da rede estadual continua desde da última segunda-feira (07) em todo o Paraná. Além dos próprios professores e também muitos vereadores estarem apoiando esta causa, os estudantes e ex estudantes também afirmaram apoiar os professores. Um exemplo disso, são alunos do Colégio Estadual Campos Sales.

Com a campanha “Eu To Na Luta”, muitos alunos estão publicando em suas redes sociais o total apoio aos educadores da rede estadual. De acordo com a professora da disciplina de Arte do Colégio, Maysa Nara Eisenbach, que leciona no local desde 2001, a greve dos professores só foi deflagrada porque a situação se tornou realmente insustentável. “Desde que o governador Beto Richa assumiu a gestão do Estado, há quatro anos atrás, ele vem ano a ano tentando desmontar a escola pública através da diminuição da quantidade de funcionários administrativos e agentes de apoio, que são os que nos dão todo o suporte estrutural para a sala de aula”, conta.


Segundo Maysa, o Colégio Estadual Campos Sales sofreu diretamente com este descaso do governo estadual. “Para você ter uma base, tínhamos 16 agentes de apoio e hoje temos 9, para limpar 17 salas, além de biblioteca, sala dos professores, secretaria, sala da equipe pedagógica, cozinha, saguão, quadra e demais espaços externos, além de fazer a merenda e ser inspetores nos 3 turnos em que a escola funciona. Além disso, temos um curso na área de saúde (técnico em enfermagem) cujo lixo tem que ter destinação apropriada. No ano passado, durante os meses de outubro, novembro e dezembro, o governo estadual simplesmente não fez o repasse de recursos através do Fundo Rotativo para as escolas do Paraná. Ficamos sem dinheiro para manutenção básica da escola, produtos de limpeza, expediente, didático. No início deste ano o governador veio com essa história de tirar nosso quinquênio (que é um aumento de 5% no salário base do professor a cada 5 anos de trabalho), e também de diminuir ainda mais a quantidade de funcionários que atendem a escola, sendo que já são poucos.”, desabafa a professora.

Segundo ela, é muito o importante o apoio e compreensão de todos os estudantes e comunidade escolar. “Estou muito feliz por nossos alunos aderirem à campanha e nos apoiarem. Isto me emociona, e muito, pois além de demonstrar que eles nos valorizam enquanto profissionais, também demonstram que além dos conteúdos curriculares, aprendem na escola também a ter consciência política. Educação de qualidade é direito deles, é direito de toda a sociedade. Tem que lutar mesmo!”, declara.

A estudante do Colégio Campos Sales, Djhuliane Burchz, de 17 anos, conta que ficou sabendo da campanha pelas redes sociais de uma professora e logo decidiu participar também. “Decidi pensando no meu futuro e no futuro de alunos de colégios estaduais. Eu e minha família apoiamos a greve, pois os professores estão na luta defendendo seus direitos que levaram anos para conseguir. Estou incentivando colegas e amigos de outros colégios, e espalhando a campanha para que ainda mais pessoas participem”, diz. A estudante Kayane Fernanda Almas dos Santos também aderiu à campanha e declarou total apoio aos professores. “Os professores sempre me apoiaram e foram essenciais em todo aprendizado que sei hoje. Eles merecem todo o apoio dos alunos”, afirma.

A seguir o desabafo da professora Maysa Nara Eisenbach, sobre as consequências das decisões do Governo que estão sendo refletidas no Colégio Estadual Campos Sales. Confira:

Há um projeto do Governo Federal chamado Mais Educação, que é para dar Educação em Tempo Integral para alunos em situação de risco e outros que tenham interesse em permanecer na escola em seu turno de estudos e no contraturno. Isso tira muitos alunos das ruas e deixa seus pais tranquilos, pois sabem que seu filho esta protegido, na escola, aprendendo em oficinas complementares. No entanto, este ano, o governador suspendeu o projeto, mesmo com a escola tendo dinheiro depositado em conta pelo Governo Federal. Suspendeu com a justificativa de que não irá contratar professores (nem suprir a merenda para o almoço e intervalo) para este projeto.

O Governo suspendeu também a "hora treinamento", que é um projeto de educação física em que os professores treinam os alunos para campeonatos esportivos. No caso do Colégio Campos Sales, o esporte era o futsal.

Muitos alunos, que se matriculavam e depois desistiam de estudar, começaram a permanecer na escola depois da implantação do projeto, e melhoraram seu rendimento, inclusive sendo aprovados.

Mas agora com o projeto cancelado, os alunos ficarão desmotivados, sem contar os professores de Educação Física que perderam aulas e num efeito cascata, acabaram desempregados.

Também havia na escola aulas de apoio de Língua Portuguesa e Matemática para os alunos de 6º ano. Eram turmas de até 20 alunos em que os alunos com dificuldade nestas disciplinas, iam até a escola no contraturno para que os professores focassem nas dificuldades destes alunos, melhorando assim seu rendimento. O Governador também suspendeu estas aulas.

Por último, tem a questão de colocar um teto máximo para a aposentadoria dos educadores que seria por volta de R$ 4.000,00. Imagine, um professor que trabalhou a vida toda, no momento que mais precisa, que é quando está idoso, ter aposentadoria de R$ 4.000,00 (fora os descontos)?

Sabemos que é um valor maior do que a maioria da população brasileira ganha, mas se compararmos a outras profissões, em que trabalham pessoas com graduação e pós-graduação (que é o mínimo que o professor precisa ter para chegar a este salário, após muitos anos de trabalho), se torna bem pouco. Por que não colocar esta proposta então para a aposentadoria dos políticos, que se aposentam após apenas oito anos de trabalho?

Daqui em torno de três anos muitos professores irão se aposentar. Fica a pergunta: quem irá substituir estes professores? Com as condições de trabalho que temos, a profissão não está atrativa, os jovens raramente querem ser professores.

Se a profissão ficar menos atrativa ainda, os alunos ficarão sem professor. Estamos na luta também para garantir que haja gente boa querendo estudar para seguir a carreira docente. A maioria dos professores que está em frente da Alep já é concursado. A lei não permite que seu salário diminua, nem que este piso máximo na previdência seja implantado. Mas e os professores que virão, como ficam?

Se nós não nos mobilizarmos, toda a sociedade irá sofrer com isso. Por isso, precisamos do apoio da sociedade também dos nossos alunos! Porque alguns políticos não compreendem tudo isto que eu disse anteriormente. Eles só entendem uma linguagem: a do voto. Precisamos da pressão da sociedade para manter as conquistas que tivemos durante anos e assim continuar avançando.


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