495450580893305 “Quem manda dentro dessa b.... sou eu!”, diz diretor de colégio ocupado no Jardim Paulista

“Quem manda dentro dessa b.... sou eu!”, diz diretor de colégio ocupado no Jardim Paulista



“Quem manda dentro dessa b.... sou eu! A frase nada convencional foi dita na noite desta segunda-feira (24) pelo professor Wilson Waller, diretor do colégio Ivan Ferreira do Amaral, durante reunião que determinou a desocupação do local pelos estudantes.

O encontro promovido pela própria direção do colégio reuniu pais, professores e alunos, e lotou o pátio da unidade de ensino localizada no Jardim Paulista, em Campina Grande do Sul. A atitude, apesar de vista de forma espantosa e desrespeitosa por alguns, por outro lado, foi aplaudida por pessoas favoráveis a desocupação.

A reunião foi movida a discussões e opiniões divergentes. Pais foram convidados pela direção a explanarem seus pontos de vista com relação as ocupações. “Professores fazem greve a sociedade apoia. Os meninos se manifestam a sociedade que apoie também. Cabe a gente (pais) não sermos omissos e nos manifestar em favor deles, mas do jeito em que os alunos estão aqui, não podem mais ficar”, disse um pai se referindo a preocupação com a integridade física do filho durante as ocupações.

“Você deve respeito aos pais quando fala que ninguém pode votar. Cada pai tem direito de falar o que deve e o que não deve ser feito. Quem deveria estar aqui era a gente (pais), mas somos nós que trabalhamos para vocês estarem aqui”, disse uma mãe favorável à desocupação ao repreender o filho que integrava o movimento.

Em primeiro momento, alunos ligados ao movimento estudantil informaram que a desocupação não iria ser colocada em pauta, e que a reunião teria como objetivo, apenas, apresentar os motivos da paralisação e as atividades desenvolvidas pelos estudantes nas últimas duas semanas sem aula. Segundo os integrantes do movimento, pais e professores não tinham autonomia para decidir o futuro da ocupação.

Contrapondo o discurso defendido pelo grupo estudantil, o diretor do colégio com o apoio dos pais achou por bem fazer uma votação onde foi definida a desocupação do local. A decisão terminou em bate-boca entre integrantes do movimento estudantil com a direção da escola. "Cadê a democracia?", gritou uma mãe favorável à ocupação. No calor dos ânimos, alunos chegaram a dizer que foram pressionados pela direção a deixarem o local, antes mesmo da reunião acontecer.

Segundo os estudantes, há um áudio gravado pelos próprios alunos em que o diretor se impõe de forma grosseira sobre a desocupação do colégio. A gravação iria ser mostrada ao final da reunião, mas alguns pais acharam melhor evitar a divulgação do material temendo uma confusão ainda maior.

No teor da gravação contém, entre outras falas, as mesmas frases ditas pelo diretor na presença dos pais, alunos e professores. "Hoje de manhã eu falei: quem manda dentro dessa b.... sou eu! Quem veio de fora é um borra b.... também. Falei sim. Qual é o problema? Vocês estão desvirtuando a situação. Quem está certo?", indagou o diretor.

Veja abaixo o vídeo:


Em conversa com o Linkada News o diretor do colégio, Wilson Waller, considerou o encontro, apesar da discussão acalorada como algo democrático para o ambiente estudantil. “A reunião foi importante para a democracia. Infelizmente o final dela não foi o que esperávamos. Nosso objetivo foi apresentar aos pais o que seus filhos fizeram enquanto ocuparam o colégio, e em contrapartida, ouvir também a opinião deles sobre as ocupações. A maioria dos pais decidiu pelo fim da paralisação”, disse Waller, enfatizando que a atitude tomada por ele não foi querendo se opor ao direito dos alunos de se manifestarem.

O colégio que atende cerca de 1.200 alunos estava ocupado há 10 dias e voltou às atividades normais já na manhã desta terça-feira (25).

Reuniões com professores

Horas antes da reunião com pais e alunos, por volta das 17h, uma outra reunião a portas fechadas foi convocada pela direção do colégio com os professores, que mesmo com a greve acordada entre o sindicato e a categoria, decidiram pela retomada ao trabalho.

Um dia antes, no domingo (23) diretores responsáveis pelas unidades ocupadas estiveram reunidos com representantes do governo do estado que ordenou o fim das paralisações e o lançamento de falta aos professores que não cumprissem a determinação. “Quem aderiu à greve terá a falta lançada”, disse a secretária de Educação, Ana Seres, conforme divulgado pela Agência Estadual de Notícias (AEN).

O chefe da casa civil, Valdir Rossini, informou ainda que os os diretores e professores que estiverem dando amparo às ocupações e não cumprirem as determinações legais, responderão processos administrativos ou sindicâncias e podem ser punidos com afastamentos e até demissões. Pais se unirão aos alunos para manifestar

Solidários aos alunos do movimento estudantil, pais ao fim da reunião se propuseram em se unir em um manifesto com os estudantes no próximo fim de semana. O protesto está marcado para acontecer a partir das 14h de sábado (29) em frente ao colégio, tendo como pautas as mesmas reivindicações dos alunos referentes à proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que propõe o limite de gastos das contas públicas e a medida provisória (MP) que trata sobre a reforma do do ensino médio.

(Foto: Adilson Santos)


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