495450580893305 Coluna-Bem-Viver: "O ELEITOR FLAMENGUISTA E O NEGOCIANTE"

Coluna-Bem-Viver: "O ELEITOR FLAMENGUISTA E O NEGOCIANTE"


Os tempos agora são de Temer, mas ainda são tempos temerosos (com o perdão do trocadilho). O ano de 2016 foi importantíssimo politicamente falando, tivemos as eleições para vereadores e prefeitos, e também houve o histórico impeachment de Dilma Roussef no dia 31 de agosto daquele ano. Agora o ano é 2017, agosto para ser mais preciso e vivemos quase que a mesma situação em relação ao nosso líder governamental maior, o fantasma do impeachment e suas consequências políticas e financeiras para o país. Há tensão no ar, mas o que chama atenção assim como em 2016 é a maneira como as pessoas se relacionam com esse importante evento em suas vidas e consequentemente como elegem/escolhem o lado a apoiar.

A tomada de decisão, para o bem ou para o mal, se reflete em como as pessoas votam e/ou apoiam. Diversas pesquisas para tentar explicar esse fenômeno já foram feitas no mundo todo e no Brasil não é diferente.

Entre as principais correntes que explicam o comportamento eleitoral dos brasileiros, "podem-se destacar a perspectiva sociológica, a psicológica e a teoria da escolha racional" (BORBA, 2005 apud CASTRO, 1994). Esses três modelos apontam como os eleitores são influenciados na decisão do seu voto.

Não vou me ater aqui as definições e explicações de cada um dos três termos, o que eu quero chamar atenção é para dois pontos existentes no voto de escolha racional, o que pode refletir o atual momento de nosso país.

Primeiro ponto: os eleitores da “síndrome do Flamengo”: "As preferências partidárias ou ideológicas do brasileiro não se relacionariam com opiniões altamente sustentadas a respeito de questões de natureza política, mas estariam baseadas em imagens difusas, simplificadas da posição dos partidos: existiria no sistema de crenças da população uma divisão quase binária do processo político, de modo que os partidos estariam ou do lado do “povo” ou do “governo”, dos “pobres” ou dos “ricos” (BORBA, 2005 apud REIS, 2000a)."

Segundo ponto: voto como produto (eleitor negociante): Existem as abordagens inspiradas pela teoria da escolha racional, que consideram a decisão do voto como produto de uma ação racional individual orientada por cálculos de interesse, que levam o eleitor a se comportar em relação ao voto como um consumidor no mercado. A esfera da política é visualizada como um “mercado político”, onde os políticos tentam “vender seus produtos”, e os cidadãos assumem o papel de “consumidores”, que vão escolher aqueles “produtos” que melhor diminuam seus custos e maximizem ou otimizem seus ganhos.

Nesses dois pontos pertencentes ao tipo psicológico de escolha racional elucidados, infelizmente pode-se perceber que boa parte dos eleitores brasileiros se encontram. Mais do que isso, como apontou no ano de 2015 Leandro Karnal – Doutor em história e filósofo – sobre o grande equívoco de achar que ao substituirmos uma pessoa do cargo de presidente estaremos mudando todo o resto do sistema, ou ainda que ingenuamente haverá um só homem para ser o salvador da pátria. Seria fantástico se assim fosse. O cenário político e ético atual nos mostra que não há só um salvador, que não é só um partido corrupto ou ruim. Há uma doença enraizada em nosso país. A desonestidade alheia é plantada todo dia, colhida e fortificada em cada eleição ou protesto onde muitos são “flamenguistas ou negociantes”. Nisso esse tipo de eleitorado se parece muito com o rei Lear de Shakespeare, o nobre que ficou velho antes de ficar sábio. Até quando sereis velhos sem ganhar o único fruto que a velhice proporciona em troca de todas as outras perdas: o conhecimento?


Pobre Brasil que envelhece todo dia antes de ficar sábio. Evandro Mocelim de Oliveira - Psicólogo CRP-08/23679


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