495450580893305 Zé Rosa, de Campina Grande do Sul, pede por socorro

Zé Rosa, de Campina Grande do Sul, pede por socorro



Zé Rosa pede por socorro! Essa é a frase que está estampada em um cartaz pendurado na fachada da casa desse morador do Jardim Paulista, em Campina Grande do Sul. O apelo silencioso, em primeiro momento, soa de forma espantosa para quem acompanha esta reportagem, mas, segundo o autor da mensagem é uma forma de chamar a atenção sobre as dificuldades que ele próprio vem enfrentando.

Sensibilizada com a história de vida desse morador, a assistente administrativa Sintia Mara procurou a reportagem do Linkada News com a intenção de ajudá-lo. Sintia o conheceu há cerca de dois meses após ele sofrer um acidente de trânsito próximo de sua casa. Ele foi atropelado por um carro e Sintia foi uma das pessoas que o ajudaram na ocasião. Há duas semanas nossa reportagem esteve na casa desse morador a fim de conhecer mais sobre sua história.

Morando de aluguel com a esposa e a filha de oito anos, José da Rosa, ou "Zé Rosa", como popularmente é conhecido, é natural de Bocaiúva do Sul e mudou-se para Campina no ano de 1971. Ele já teve uma casa para chamar de sua, mas devido a um calote que levou acabou perdendo o pouco que tinha. Em busca de trabalho e de uma vida melhor, da Rosa conta que quando chegou na cidade encontrou uma pessoa que lhe ofereceu um terreno com a promessa que ele poderia pagar a propriedade em troca de serviços.


Com o passar dos anos, Da Rosa conta que decidiu abrir no mesmo endereço um empreendimento imobiliário que levava o seu nome, Imobiliária Zé Rosa. O negócio deu certo e a empresa tinha tudo para crescer ainda mais, se não fosse o antigo dono do terreno requerer novamente a propriedade na justiça. Da Rosa contratou um advogado para entrar com um pedido de usucapião, mas, acabou perdendo a propriedade e o dinheiro que nela havia investido. Expulso do local, desde então ele e a família vivem de aluguel. Graças a ajuda que recebe de populares, Zé Rosa tenta enfrentar as dificuldades vendendo produtos usados.

Misturado com os problemas profissionais e familiares, o que mais tem tirado o sono do ex-corretor de imóveis, hoje com 74 anos, é o pagamento do IPTU que encontra-se atrasado. Conforme acordo contratual feito pelo proprietário do imóvel ficou acertado que Da Rosa é quem deve arcar com o pagamento deste imposto. Segundo ele, devido a este atraso, o valor está atingindo a casa dos R$ 900 reais. “Eu tentei fazer um acordo, mas como a dívida está no Fórum e acumulou multas, não autorizaram eu pagar esse valor em parcelas. Eu não tenho de onde tirar esse dinheiro”, comenta preocupado.

Sem emprego formal e ainda lutando para conseguir se aposentar, a única renda que a família conta todos os meses é o salário da esposa, aposentada por invalidez devido a uma doença neorológica que ataca o sistema nervoso. Conforme conta Da Rosa, a companheira sofre de epilepsia e precisa de acompanhamento 24h por dia. Além desse problema, ela também tem crises de depressão. “Se eu deixar ela muito tempo sozinha ela pode sofrer um acidente, como várias vezes já aconteceu. Houve situações dela colocar a mão no fogo e se cortar com uma faca. Isso sem contar nos desmaios que ela teve, em que caiu e se machucou”, conta.


Atualmente, os maiores gastos da família se concentram no pagamento do aluguel, cerca de R$ 1 mil reais ao mês; na compra de medicamentos para o tratamento da esposa e para o transporte da filha que ganhou uma bolsa de estudos em um colégio particular em Curitiba. “Se tem uma coisa que eu não deixo a dificuldade afetar, esse algo é o estudo da minha filha. Se eu não tive a oportunidade de estudar para ser alguém na vida, pelo menos isso eu pretendo dar para ela”, conta da Rosa ao falar da filha.

Para tentar pagar as dívidas e incrementar a renda familiar, Zé Rosa adaptou um local em frente a casa onde mora para comercializar mercadorias que para muitos são consideradas apenas bugigangas. O local se transformou em uma espécie de loja a céu aberto, onde é possível encontrar de tudo um pouco, desde fogões usados até um Fusca ano 78 adaptado para trilha. Periodicamente o morador recebe doações dessa natureza para serem comercializadas. Apesar de estar situado em um cruzamento movimentado do Jardim Paulista, entre a Avenida Duílio Calderari e a rua João Batista, nem sempre as vendas no seu empreendimento são boas.

“Antes tinha bem mais coisas, eu ia até a casa das pessoas pegar, mas hoje devido a nossa situação é mais difícil. Não é todo mundo que compra pois acham que por ser coisas velhas não tem mais utilidade nenhuma. O que para muitos não tem valor, para mim acaba se tornando um sustento”, conta ele, que mesmo em meio a dificuldades tem a esperança de dias melhores.

Ajuda

Para angariar recursos e ajudar a família do Zé da Rosa, a internauta Sintia Mara pretende realizar uma rifa. Para isso ela está buscando a doação de algum produto ou prêmio para poder ser sorteado. Ela ainda não definiu o que poderia ser esse produto, até porque segundo ela, qualquer doação é bem vinda nesse momento. Quem tiver interesse em ajudar pode entrar em contato pelo telefone (41) 9524-3938.

(Fotos: Adilson Santos)


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