Fim da CPI do Apagão: população recebe respostas e cronograma de obras para melhorar a energia em Quatro Barras
- Linkada News

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Comissão criada para investigar as constantes quedas de energia encerra trabalhos após obter respostas da Copel e um cronograma de obras que promete melhorar o fornecimento em toda a região
Após cerca de três meses de trabalhos, a CPI do Apagão, instaurada pela Câmara Municipal de Quatro Barras para investigar as frequentes interrupções no fornecimento de energia elétrica no município, chegou ao seu desfecho com a apresentação de diagnósticos técnicos, esclarecimentos da Copel e a confirmação de investimentos que deverão reforçar a infraestrutura energética da região.
A comissão nasceu em fevereiro deste ano, logo na retomada dos trabalhos legislativos, quando os vereadores aprovaram por unanimidade a carta de intenção apresentada pelo vereador Anderson Mendonça, o Rato. A iniciativa foi motivada pelas constantes reclamações de moradores, empresários, produtores rurais e órgãos públicos afetados pelas sucessivas quedas de energia e pelos prejuízos causados à população e ao setor produtivo.
Na ocasião, o objetivo dos parlamentares era compreender as causas dos problemas, fiscalizar a atuação da concessionária responsável pelo serviço e buscar soluções efetivas para uma demanda que há anos preocupa os quatro-barrenses.
Durante a sessão ordinária realizada na segunda-feira, 1º de junho, a responsável pela Divisão de Relacionamento com o Poder Público da Copel, Vanessa Hohmann, apresentou aos vereadores um panorama técnico sobre a situação do sistema elétrico e detalhou as obras e investimentos previstos para Quatro Barras e Campina Grande do Sul.
Para o vereador Anderson Mendonça, a comissão alcançou o propósito para o qual foi criada.
"Criamos a CPI para saber qual era o problema e o que podia ser feito para melhorar o fornecimento de energia. Hoje temos essas respostas. O que está sendo feito ainda este ano deve melhorar entre 80% e 90% da situação que temos atualmente", afirmou.
Ainda durante a sessão, o presidente da Câmara Municipal, Fernando Cunha, parabenizou o presidente da CPI e os demais membros da comissão pela condução dos trabalhos. O vereador destacou que todas as diligências, levantamentos e ações realizadas ocorreram sem gerar custos adicionais ao Poder Legislativo, que utilizou sua própria estrutura administrativa e técnica para acompanhar o caso.
Energia existe, o desafio está na distribuição
Um dos principais esclarecimentos apresentados pela Copel foi que Quatro Barras não enfrenta um problema de capacidade energética.
Atualmente, a Subestação Quatro Barras opera com capacidade de 83 MVA e ainda possui cerca de 25% de disponibilidade para atender novas demandas. Com a entrada em operação da nova subestação que está sendo construída em Campina Grande do Sul, esse índice deverá saltar para 48,2%, ampliando a segurança energética e a capacidade de atendimento para toda a região.
Na prática, isso significa que há energia suficiente para acompanhar o crescimento do município e a instalação de novos empreendimentos. O principal desafio está na modernização da rede de distribuição e na criação de mecanismos que reduzam os impactos das interrupções quando elas ocorrem.
Obras prometem reduzir interrupções
Entre as ações anunciadas pela Copel está a implantação de novos alimentadores, estruturas responsáveis por levar energia a diferentes regiões do município.
Esses equipamentos funcionam como rotas alternativas de abastecimento. Quando ocorre uma falha em determinado trecho da rede, o sistema pode ser alimentado por outro circuito, reduzindo o número de consumidores afetados e diminuindo o tempo de restabelecimento da energia.
As principais intervenções previstas incluem:
Implantação de um novo alimentador na Subestação Quatro Barras;
Construção do Alimentador Ribeirão do Tigre, que dividirá a carga atualmente atendida pelo Alimentador Borda do Campo;
Implantação de um novo alimentador na Subestação Campina Grande do Sul, que auxiliará diretamente o sistema que atende Quatro Barras;
Criação do novo Alimentador Canguiri, obra estimada em R$ 2,6 milhões e com previsão de conclusão até o final do segundo semestre deste ano.
Segundo a concessionária, os investimentos aumentarão a confiabilidade da rede e deverão reduzir significativamente os desligamentos registrados na região.
Vegetação é a principal causa dos desligamentos
Outro dado que chamou a atenção dos vereadores foi o levantamento das causas das interrupções de energia.
De acordo com a Copel, 65% dos desligamentos registrados ocorrem devido ao contato da vegetação com a rede elétrica. Outros 25% estão relacionados às descargas atmosféricas, enquanto 10% são consequência do aumento de carga provocado por novas ligações e sistemas de geração distribuída, como a energia solar.
Diante desse cenário, a companhia destacou a importância da parceria com a Prefeitura de Quatro Barras para intensificar os serviços de poda e manejo da vegetação próxima às redes de distribuição, medida considerada fundamental para a redução das ocorrências.
Zona rural também será beneficiada
Os investimentos anunciados não se restringem à área urbana.
A Copel confirmou a implantação de 3,2 quilômetros de rede trifásica em Quatro Barras, beneficiando aproximadamente 583 consumidores que atualmente são atendidos por redes monofásicas rurais.
A mudança permitirá maior disponibilidade de potência, melhor qualidade no fornecimento de energia, utilização de motores trifásicos, aumento da eficiência energética e melhores condições para propriedades que utilizam equipamentos de maior demanda ou sistemas de geração solar.
A expectativa é que a iniciativa fortaleça a produção rural e amplie a segurança energética no campo.
De cobrança à construção de soluções
Quando foi criada, a CPI do Apagão tinha como principal missão transformar a insatisfação da população em respostas concretas. Ao longo dos últimos meses, vereadores ouviram moradores, empresários, produtores rurais e representantes da Copel, construindo um canal de diálogo que permitiu identificar as principais causas dos problemas e apontar caminhos para sua solução.
O resultado apresentado no plenário demonstra uma mudança de cenário. Se em fevereiro predominavam as cobranças e a busca por esclarecimentos, agora a Câmara Municipal passa a contar com informações técnicas detalhadas, investimentos anunciados e compromissos públicos assumidos pela concessionária para melhorar a infraestrutura elétrica da região.
Mais do que encerrar uma investigação, o fim da CPI representa um passo importante na busca por uma solução definitiva para uma das principais demandas da população nos últimos anos. A expectativa é que as obras previstas para 2026 reduzam significativamente os transtornos causados pelas quedas de energia, beneficiando moradores, produtores rurais, comerciantes e empresas instaladas no município.
Afinal, energia elétrica de qualidade não representa apenas conforto para as famílias. Ela é um elemento essencial para o desenvolvimento econômico, a geração de empregos e o crescimento sustentável de Quatro Barras.














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