Medalhas, talento e superação: Campina e Quatro Barras brilham no atletismo no JEPS Paraná
- Linkada News

- há 3 horas
- 7 min de leitura
Atletas da região conquistam títulos e posições de destaque em Campo Mourão, enquanto o trabalho de mais de 12 anos do professor Gerson “Buda” revela uma geração que compete em alto nível mesmo sem estrutura própria para treinar
O nome de Campina Grande do Sul e Quatro Barras ganhou força no cenário esportivo paranaense durante as finais dos 72º Jogos Escolares do Paraná (JEPS) 2026, realizadas em Campo Mourão.

Em meio a milhares de estudantes de diferentes regiões do Estado, os atletas que representaram os municípios voltaram para casa com medalhas, títulos e resultados que merecem ser celebrados.
Mas a história por trás dessas conquistas vai muito além do pódio.
Ela envolve anos de dedicação, formação de jovens talentos, trabalho escolar e, principalmente, a persistência de uma equipe que encontrou no atletismo um caminho para transformar esforço em resultado.
À frente desse trabalho está o professor Gerson Gonçalves, o Prof. Buda, que há mais de duas décadas atua na Educação Física e há mais de 12 anos se dedica diretamente ao atletismo.

Mais de duas décadas formando atletas
A trajetória de Gerson ajuda a entender por que os resultados atuais não podem ser tratados como algo pontual.
São aproximadamente 21 anos de atuação na Prefeitura de Quatro Barras e 16 anos no Estado, além de mais de 12 anos trabalhando especificamente com atletismo.
Nesse período, o professor acompanhou uma geração de atletas e viu alguns deles alcançarem competições que ultrapassam as fronteiras do Paraná.
O trabalho já colocou atletas em Mundiais Escolares e competições Sul-Americanas, além de revelar campeões brasileiros e paranaenses.
Em uma fala que resume essa trajetória, Gerson destaca:
“Com o atletismo eu trabalho há mais de 12 anos. Durante esse período, graças a Deus, conseguimos colocar atletas em Mundiais Escolares, em Sul-Americanos, além de termos atletas campeões brasileiros e campeões paranaenses, entre outros resultados.”
Existe uma história construída ao longo de anos, com atletas que passam pelo processo de formação, competem, evoluem e ajudam a fortalecer o nome da região no atletismo escolar.
Um resultado que mostra a força da equipe
O desempenho mais recente reforça essa trajetória. No último Campeonato Paranaense Escolar, a equipe alcançou um resultado expressivo: quatro vitórias em 14 provas do feminino.
Para Gerson, números como esse são consequência direta do trabalho desenvolvido ao longo dos anos.
“Nesse último Campeonato Paranaense Escolar a gente teve resultados bem legais. Das 14 provas no feminino, vencemos quatro. Isso é resultado de muito trabalho e é motivo para celebrar.”
E foi com esse histórico que os atletas chegaram às finais dos Jogos Escolares do Paraná, em Campo Mourão.
Campo Mourão reuniu o melhor do esporte escolar
A dimensão da competição ajuda a compreender o tamanho dos resultados.
A fase final reuniu aproximadamente 6 mil alunos-atletas, representantes dos 32 Núcleos Regionais de Educação do Paraná, em 16 modalidades e chegar até essa etapa já significa superar fases anteriores e enfrentar atletas de diferentes regiões do Estado.
Competir em Campo Mourão, portanto, não era simplesmente participar de mais uma competição, e sim, era estar diante de alguns dos principais talentos do esporte escolar paranaense. E foi justamente nesse cenário que os atletas da região se destacaram.

O atletismo de Campina e Quatro Barras no pódio
Os resultados foram expressivos.
Maria Maier foi campeã no lançamento do disco e no arremesso do peso.
Maria Vitória conquistou o título no lançamento do dardo.
Lorena foi campeã no pentatlo.
Kaleb garantiu o primeiro lugar na marcha atlética.
A equipe também conquistou posições importantes:
Naomy – 3º lugar no salto em altura;
Angel Eduardo – 3º lugar nos 110 metros com barreiras;
Rafaela Carrasco – 4º lugar nos 100 metros com barreiras e nos 100 metros rasos;
Angel – 8º lugar na marcha atlética.
São resultados que mostram que a equipe não depende de uma única modalidade ou de um único atleta.
Existe competitividade em diferentes provas, com jovens desenvolvendo velocidade, força, resistência, técnica e coordenação.

Para entender as medalhas
O atletismo reúne provas bastante diferentes entre si.
Nos 100 metros rasos, o desafio é simples de explicar, mas difícil de executar: percorrer a distância no menor tempo possível. É uma prova de velocidade e explosão.
Nos 100 e 110 metros com barreiras, o atleta precisa correr rapidamente e superar obstáculos posicionados na pista, mantendo ritmo, técnica e coordenação.
O salto em altura exige que o competidor ultrapasse uma barra horizontal sem derrubá-la, combinando velocidade, impulsão e precisão.
No arremesso do peso, força e explosão são fundamentais para lançar a esfera metálica à maior distância.
No lançamento do disco, o atleta utiliza movimentos de rotação para projetar o disco o mais longe possível.
No lançamento do dardo, velocidade, técnica e potência trabalham juntas para buscar a maior distância.
A marcha atlética exige resistência e domínio técnico, já que possui regras específicas de movimentação que diferenciam a modalidade da corrida.
Já o pentatlo reúne diferentes provas e exige do atleta versatilidade para obter um bom desempenho no conjunto.
Ou seja, cada medalha representa uma combinação de treinamento, técnica, preparação física e concentração.
A parte da história que merece atenção
Mas existe um detalhe nessa trajetória que torna as conquistas ainda mais significativas.
Os atletas não contam com um espaço próprio e adequado para o treinamento de atletismo.
Enquanto competem em nível estadual e conquistam títulos, os jovens precisam utilizar campos de futebol, praças e outros espaços disponíveis para realizar seus treinamentos.
E aqui está o grande paradoxo dessa história.
Como uma região consegue formar campeões brasileiros, campeões paranaenses, atletas que chegaram a Mundiais Escolares e competidores que sobem ao pódio dos Jogos Escolares do Paraná sem contar com uma estrutura específica para o atletismo?
A resposta está na determinação.
Está no trabalho do professor.
Está no compromisso dos atletas.
Está no apoio das famílias e das escolas.
E está em uma equipe que aprendeu a transformar limitações em motivação.

Quando a vontade supera a falta de estrutura
Para quem olha apenas para o pódio, a medalha pode parecer o ponto de chegada. Mas, no caso desses atletas, ela revela justamente o contrário: é o resultado visível de uma trajetória construída longe das condições ideais.
Antes de cada largada, salto ou lançamento, há horas de treinamento, repetição, preparação física, disciplina e cansaço. Há também improviso. E é nesse ponto que a história deixa de ser apenas esportiva e passa a exigir uma reflexão.
Onde deveria existir uma pista de atletismo, existem campos de futebol. Onde deveria haver uma estrutura específica para treinos, entram praças e outros espaços disponíveis. É nesses locais que atletas que disputam e vencem competições estaduais procuram aperfeiçoar marcas, movimentos e técnicas.
Não há como romantizar essa realidade. A capacidade de adaptação desses jovens é admirável, mas não deveria ser confundida com uma solução adequada.
Quando um atleta conquista medalhas mesmo sem ter o espaço necessário para treinar, o mérito é ainda maior — mas a falta de estrutura também fica mais evidente.
E é justamente aí que está o paradoxo: se já existe talento, trabalho, resultados e uma equipe capaz de colocar atletas em Mundiais Escolares, Sul-Americanos e pódios estaduais, o que falta para oferecer a eles um lugar à altura desse desempenho?
O improviso pode revelar campeões. Mas não pode ser o limite para quem tem potencial para ir ainda mais longe.
O paradoxo: talento existe. E a estrutura?
Os resultados conquistados em Campo Mourão colocam em evidência uma questão que vai além das medalhas e merece ser discutida: o que poderia alcançar o atletismo de Campina Grande do Sul e Quatro Barras se os atletas tivessem uma estrutura adequada e permanente para treinar?

A pergunta não é meramente hipotética. Os resultados já existem. Há títulos, medalhas, atletas classificados para competições de alto nível e um trabalho de formação que, há mais de uma década, vem revelando talentos.
O que ainda não existe é uma estrutura específica capaz de acompanhar esse desempenho.
Uma pista de atletismo não representaria apenas um espaço para correr. Seria uma ferramenta de formação esportiva, capaz de oferecer condições para o aprimoramento técnico, a preparação física, a descoberta de novos talentos e a evolução das marcas.
Também permitiria transformar um trabalho que hoje depende, em grande parte, de adaptação e improviso em um projeto esportivo estruturado e permanente.
E há um ponto que não pode ser ignorado: o investimento não começaria do zero. A região já tem atletas, professores, experiência, resultados e uma trajetória construída.
O que falta é transformar esse patrimônio esportivo em estrutura.
Porque os pódios de Campo Mourão não apenas comemoram o que esses jovens já conquistaram. Eles também expõem o tamanho do potencial que ainda pode ser desenvolvido.
E talvez essa seja a principal reflexão deixada pelos Jogos Escolares: quando o talento já provou que existe, oferecer condições para que ele cresça deixa de ser apenas incentivo ao esporte e passa a ser uma decisão sobre o futuro.
O nome das cidades também sobe ao pódio
Há ainda outro aspecto importante nessas conquistas.
Quando um atleta entra na pista representando Campina Grande do Sul ou Quatro Barras, ele não leva apenas o próprio nome.
Leva o nome da escola.
Leva o nome do professor.
Leva o nome da família.
E leva o nome do município.
É assim que o esporte escolar também gera repercussão para as cidades.
Cada medalha ajuda a mostrar que existem jovens talentos sendo formados na região.
Cada título cria uma referência para outras crianças.
Campina Grande do Sul e Quatro Barras passam a ser reconhecidas também por aquilo que seus jovens conseguem realizar dentro das pistas.
Uma história construída por muitas mãos
Por trás dos resultados estão os atletas, o professor Gerson “Buda”, as famílias, as escolas e os parceiros que ajudam a manter o trabalho.
Entre eles está o Colégio JM, além das Prefeituras de Campina Grande do Sul e Quatro Barras, citadas pela equipe como importantes parceiras no incentivo ao esporte em uma rede que mostra que o desenvolvimento esportivo não acontece sozinho.
O professor orienta.
O atleta se dedica.
A família apoia.
A escola incentiva.
O poder público pode criar condições.
E, quando tudo isso se encontra, surgem resultados capazes de ultrapassar as fronteiras da própria cidade.
Mais do que medalhas
Os nomes de Maria Maier, Maria Vitória, Lorena, Kaleb, Naomy, Angel Eduardo, Rafaela Carrasco e Angel agora fazem parte de mais um capítulo dessa trajetória.
São jovens que representaram suas cidades em uma competição de alto nível e mostraram que existe talento na região, mas as talvez a maior conquista não esteja apenas nas medalhas, além disso, esta na formação de uma geração que aprende, através do esporte, valores como disciplina, responsabilidade, persistência, respeito e superação.
É por isso que esses resultados merecem ser comemorados.
O Linkada News se orgulha de contar histórias como essa porque elas mostram o que existe de melhor na nossa região.
Jovens que treinam.
Professores que acreditam.
Famílias que apoiam.
Escolas que incentivam.
E cidades que têm atletas capazes de competir e vencer em nível estadual.







Comentários